Macrobiótica – viver a vida na sua plenitude!

MACROBIÓTICA – “A dieta da vida Plena”

Entrevista publicada em Revista Prevenir – Julho 2018”

 Tem na sua base uma dieta focada no consumo de alimentos de origem vegetal, biológicos e da época, mas a Macrobiótica não se resume a um regime alimentar. É uma filosofia de vida que nos convida a encontrar “o equilíbrio em benefício do corpo, da mente e do planeta.
Macrobiótica – A palavra radica do grego antigo — Macro (grande ou longa) e Bios (vida).

A Macrobiótica é um modo de vida que orienta as escolhas individuais em alimentação, atividade física e estilo de vida.
É um sistema de princípios e práticas que visam o equilíbrio em benefício do corpo, da mente e do planeta.
Traduz uma forma de estar no Mundo. Francisco Varatojo dizia “Não se é macrobiótico só porque se come comida macrobiótica.” E eu acrescento “É preciso uma boa dose de humildade, gratidão, compaixão, generosidade e bom senso”

Esta filosofia de vida, nasce no Japão, é trazida para a Europa por George Ohsawa e depois para EUA pelo seu discípulo, Michio Kushi, Fundador do Instituto Kushi em Boston, de onde saíram vários discípulos espalhados pelo mundo inteiro. Para Portugal veio pela mão de Francisco Varatojo, o qual, com a sua esposa Geninha Varatojo, fundou o Instituto Macrobiótico de Portugal, um dos maiores centros do Mundo.

As escolhas na alimentação macrobiótica, são feitas tendo em conta “a ética, a justiça, e as preocupações ambientais e com os outros seres, com o planeta em geral.

Nós somos todos UM e tudo o que cada um de nós faz, tem influência no todo.

A procura incessante da paz mundial e de uma boa relação com o planeta.

A Macrobiótica tem como ideia base o alinhar com a ordem do Universo.

Quando o ser humano tem como base da sua dieta: alimentos completos – cereal integral, feijões, vegetais, algas, sementes – sempre que possível cultivados localmente e biológicos, relativos à época sazonal e alimentos fermentados naturalmente, ele fica alinhado com o resto da Natureza.

Estende-se além da alimentação concretizando-se na forma como cuidamos do corpo, gerimos o equilíbrio emocional e nos relacionamos com os outros. “O exercício físico e a forma como lidamos com as emoções, com o stresse, com as tensões, com os problemas do dia a dia, assim como a relação do ser humano com o resto da natureza e os outros seres, são também assuntos primordiais na macrobiótica”.

No entanto, estando a nutrição directamente ligada à qualidade do nosso sangue e consequentemente á qualidade das nossas células e sistema nervoso, e assim à nossa percepção e acção, a QUALIDADE e QUANTIDADE dos alimentos têm um papel muito importante nas nossas escolhas e relacionamentos em geral.

A macrobiótica defende uma alimentação sobretudo de origem vegetal por razões de saúde, éticas e ambientais. E porque é a que se assemelha mais à dieta mediterrânica (própria da nossa região). O nosso organismo pode suportar alguns alimentos de origem animal, mas não na quantidade e qualidade dos existentes actualmente.

Tomando como exemplo a dentição: temos nós 4 caninos, próprios para rasgar a carne, 8 incisivos para comer vegetais e 20 molares para moer (grão, cereal, semente, feijões).

A alimentação moderna alterou completamente a noção do alimento vindo da terra. Passando a usar alimentos refinados e processados cheios de aditivos, conservantes, corantes, realçadores de cor e sabor, com os quais o nosso organismo não sabe lidar e não reconhece, estando em esforço e assim vulnerável a doenças.

Enquanto o vegetarianismo se define mais por aquilo que não consome (carnes e peixe principalmente), a Macrobiótica define-se mais por aquilo que inclui.

Em termos alimentares é fundamental para a Macrobiótica incluir de preferência alimentos completos, biológicos, locais e sazonais sempre que possível: cereal integral, proteína de origem vegetal, vegetais, fruta, algas, fermentados de boa qualidade (miso, pickles naturais, tempeh, molho de soja, etc.)

A Macrobiótica tem em conta a condição do indivíduo para ajustar o tipo de alimentos, a forma como é cozinhado e as combinações para ajudar o corpo, a mente e o espírito com vista a encontrar o equilíbrio e estar alinhado com a ordem da Natureza.

A Macrobiótica segue a tradição milenar de alimentação sazonal, adaptada à geografia e clima, porque desse modo tudo fica em ordem com o Universo.

A macrobiótica defende que usemos alimentos completos, da época e que fortaleçam o organismo, que convivamos de forma sã e com honestidade para com todos os outros seres, que sejamos humildes e gratos à vida, generosos e tenhamos compaixão.

A energia dos alimentos da zona onde vivemos assim como da estação em que estamos ajudam a fortalecer o nosso organismo e estão adaptados às nossas necessidades.

Se a Mãe Natureza nos dá morangos na Primavera é porque é nessa altura que precisamos deles. Ao comermos um gelado no Inverno vamos arrefecer o corpo, que é o que se deseja no verão. A fruta tropical tem propriedades para satisfazer as necessidades de um corpo que vive no hemisfério sul, com calor intenso, desidratando com muita facilidade, dando frescura e doce. Um esquimó dificilmente pode ser vegetariano!

O estudo mais próximo da Macrobiótica que existe, para a saúde fisica e mental, foi dirigido pelo Professor de Bioquimica americano, Colin T Campbell, publicado em 2005, no livro “ The China Study”. Este estudo epidemiológico, que durou mais de duas décadas, foi realizado em conjunto pelas Universidades de Cornell e de Oxford e pela Academia Chinesa de Medicina Preventiva de Pequim. É o maior estudo jamais realizado sobre a relação entre a alimentação e o risco de desenvolvimento de doença e prova a relação directa dos alimentos na saúde.

Existem, no entanto, algumas ideias erradas em torno da macrobiótica. A noção de que é uma dieta restrita; apenas para doentes; e elitista.

A alimentação macrobiótica defende a variedade, quer de alimentos, quer de métodos culinários para o organismo poder ir buscar tudo aquilo de que tem necessidade para o seu equilíbrio. Pode e deve ser praticada por todos sem excepção, sendo que, para pessoas com algumas desordens, devem-se fazer ajustes mais específicos.

É um tipo de alimentação que tem como base a qualidade e a quantidade. Se compramos uma alface que tem 32 folhas e pagamos mais por ser biológica, vamos ter a preocupação de aproveitar cada uma dessas folhas e comer menos quantidade em cada refeição. Assim, se gastarmos 4 folhas por refeição, o valor das 32 será a dividir por 8 refeições. Se a comprarmos de agricultura convencional (com pesticidas) e porque foi barata, temos tendência para deitar fora 3 ou 4 folhas e comemos mais por refeição. O preço total das 32 folhas vai ser dividido por menos refeições. Além disso, quando comemos um alimento biológico, este proporciona um melhor bem-estar e o organismo não faz esforço para digerir o alimento.
Em geral, na alimentação macrobiótica, damos prioridade a alimentos biológicos, locais e da estação do ano em que se vive e de acordo com a condição da pessoa. Na sociedade actual, em que viemos rodeados de radiação, poluição, com muito stress, pressão e fortes emoções, se tivéssemos que eleger alguns alimentos como principais para ajudar o nosso corpo a reagir e recuperar melhor, seria: Sopa de miso, arroz integral macio, fermentados de boa qualidade, sementes.
Não temos alimentos proibidos na alimentação macrobiótica, mas há alimentos que não são aconselhados para uso diário ou frequente. A qualidade e a quantidade estão muito relacionadas. Se comemos um alimento de má qualidade durante pouco tempo (um dia em sete dias) o organismo recupera e volta ao equilíbrio nos dias seguintes, mas, se o fizermos durante muito tempo, essa recuperação pode não se fazer e ao acumular-se, provoca desequilíbrios / desordens que se podem transformar em doenças.

A prevenção é para nós uma questão primordial.
Caso tenha, na sua área de residência, a possibilidade de assistir a aulas ou workshops de macrobiótica, experimente e sinta e pergunte. Não acredite em tudo o que lhe digo!

Em Lisboa, no Instituto Macrobiótico de Portugal, existem vários cursos anuais para aprendizagem da filosofia macrobiótica ou apenas de culinária. Existem também cursos breves de cinco aulas e workshops com os mais variados temas, desde produção caseira, sobremesas saudáveis, menus festivos, queijos vegan e patés, alimentação para grávidas, culinária gourmet e muito mais.

Além disso existem já inúmeros alunos do IMP a divulgar esta prática a nível nacional com excelentes projectos.

Embora a nossa culinária seja muito parecida com a mediterrânica, esta já não é hoje em dia muito praticada em Portugal. A alimentação moderna alterou-a e é importante reaprender.

Quando não há a possibilidade de assistir a aulas, existem já no mercado vários livros para ajudar a implementar esta alimentação.

Aprenda, experimente, pratique e delicie-se tomando consciência das diferenças no seu corpo e percepção da vida.

RosalinaSilva

Projecto Integr All 🍀

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